Sexta-feira, 22 de Maio de 2009

PARANGOLÉ DE MUITOS (Manifestacao)


Pessoas, o Centro Cultural Hélio Oiticica no Rio de Janeiro, ficou fechado algum tempo por pepinos administrativos e vai reabrir com uma manifestação. Segue:
[ PARANGOLÉ DE MUITOS ](Rio de Janeiro)

O IMAGINARIO PERIFÉRICO, a EBAUFRJ, a ECOUFRJ, a UNIVERSIDADE NÔMADE e o PROJETO HÉLIO OITICICA, convocam todos os artistas interessados a participar da manifestação PRÓ Hélio Oiticica a fazerem seus parangolés conforme instrução abaixo e se juntarem a esse corpo coletivo pedindo a permanência da obra de HO no Centro de Arte que leva seu nome.

23Maio - 15H - SEXTA
Rua Luís de Camões 68 Centro Rio de de Janeiro [Em frente ao Centro de Arte Hélio Oiticica]
Video-performances do Imaginário Periférico na obra Rodislândia no Centro H.O.

Treme terra de Aderbal Axogum

Nimbo Oxalá de Ronald Duarte

Chapéu Panorâmico de Romano

Musa Paradisíaca de BobN

Venha e faça você mesmo seu Parangolé. Leia [abaixo] a proposição de Hélio Oiticica e entre nessa onda.


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hélio oiticica 1968


INSTRUÇÕES para feitura-performance de CAPAS FEITAS NO CORPO
1- cada extensão de pano deve medir 3 metros de comprimento.

2- o pano não deve ser cortado durante a feitura da capa, de modo a manter a estrutura extensão-extensão o como base viva da capa.
3- alfinetes de fralda devem ser usados para a construção da capa, que será depois cosida.

4- a estrutura da capa construída no corpo deve ser improvisada pelo participador; se a ajuda de outros participadores vier a calhar, ótimo; a estrutura deve ser construída em grupo em cada corpo participante, e feita de modo a ser retirada sem destruir, como uma roupa.

5- um grupo pode construir uma capa para várias pessoas, numa espécie de manifestação coletiva ao ar livre.

6- o uso de dança e/ou performances criadas por outros indivíduos é essencial à ambientação dessa performance: assim como o uso do humor, do play desinteressado, etc. de modo a evitar uma atmosfera de seriedade soturna e sem graça.

Quinta-feira, 21 de Maio de 2009

Arte Atual e contexto-America Latina.

Gerardo Mosquera é uma das vozes mais reconhecidas da América Latina. O conhecimento que tem da situação global da arte (a sua passagem pelo New Museum em Nova Iorque e pela Rijksakademie em Amsterdã são exemplos disso) é paralelo à sua capacidade de leitura crítica da arte produzida nos diferentes países da América Latina. Gerardo Mosquera fala de política, da Venezuela e de Cuba, assim como da situação na Argentina.

Por Desiré Vidal Argentina


P: Num comentário referiste a existência e a partilha de uma série de códigos internacionais no mundo da arte, uma espécie de latim culto que deriva em novas linguagens populares. Por exemplo, em relação ao trabalho de um artista da Palestina ou de um outro do Brasil, se existem elementos próprios do lugar, ligados ao contexto e ao modo de resolver tecnicamente uma obra, já no que diz respeito aos formatos, aos temas e às problemáticas, elas são as mesmas. Isto poderá acontecer naqueles países que não fazem parte do mainstream, dos circuitos internacionais da arte devido a uma postura política decididamente antiglobal, com discursos localistas e individualistas, como é o caso da Venezuela de Chávez ou de Cuba?

R: O que Chávez está a fazer é realmente louco. A Venezuela tinha e ainda tem colecções de arte contemporânea, nacional e internacional, impressionantes, fruto das fortunas milionárias da época do petróleo que hoje em dia estão paralisadas. Quando Chávez tomou o poder, encarregou-se pessoalmente de eliminar e até de ridicularizar publicamente os directores e responsáveis de centros e museus de arte públicos, profissionais altamente qualificados, com carreiras muito prestigiadas. Curadores, críticos, historiadores… muito respeitados internacionalmente. Um belo dia, estas pessoas souberam pela rádio que tinham sido demitidas dos seus cargos. Foi o próprio Chávez que anunciou: “E agora vamos limpar os museus da burgesia. M.ª Elena Ramos, directora do Museu Nacional de Belas Artes, ponchaaaaá” (termo do calão do baisebol), e assim sucessivamente. Foi uma situação lamentável e patética.

P: O que é realmente preocupante é o seu amplo raio de acção e influência. Poderá desencadear um novo modo de pensar e actuar e de ser latino-americano, mas desperta desconfiança pelos seus modos pouco transparentes e pouco democráticos.

R:Não, não acredito. Felizmente, com a queda do preço do petróleo ficou sem dinheiro e terá menos poder. Tudo leva a crer que financiou a campanha de Cristina Kirchner: o voo em que enviaram a famosa mala era o décimo terceiro desse avião, pelo que possivelmente teriam enviado outras malas antes. A sua influência sobre outros países da América Latina estava ligada ao dinheiro, mas agora já não tem tantas malas. Penso e confio que isso não vai durar muito tempo. Nas mais recentes eleições, foi eleito por uma pequena margem de votos e o país está dividido em dois.

P: E Cuba?

R: Restam 10 anos ao regime. Foi-se aguentando porque foi apoiado por Chávez. P: Continuas a viver em Cuba? R: Sim estou a viver em Cuba mas totalmente marginalizado pelo regime, sou um in-exilado, um exilado dentro do meu próprio país. Não posso ensinar, não posso publicar, dar uma conferência, não posso fazer nada, não há acesso à Internet, nada. Podemos fazer coisas subterraneamente, por nossa própria conta, mas se organizamos algo com outras pessoas, tudo se complica. Cada vez que saio tenho de pedir uma autorização ao Estado, e isso implica um processo muito burocrático que demora dias. Assim, sempre que saio, faço-o por períodos longos para trabalhar em diferentes lugares. E concedem-me as autorizações porque sou convidado de entidades e instituições com muito prestígio, a quem não lhes interessa dizer não, para evitar escândalos. Cada vez que viajo tenho que justificar aonde vou, com quem, para quê…

P: E o trabalho que realizaste para a Bienal de Cuba e no Ministério da Cultura?

R: Sim, assim foi, mas aparte disso o meu trabalho mais importante na época foi o de crítico de arte. Durante a década de 80 ocorreram processos culturais renovadores em que participei activamente e em que desenvolvi o meu trabalho de crítico de arte. Fui um dos protagonistas desse processo e estive muito vinculado à vida cultural do meu país. Essa é uma das razões porque não saí do país, quis continuar a trabalhar aqui de uma maneira crítica e independente.

P: Não podem ter acesso à Internet nem a uma conta de e-mail. Não há acesso legal a uma vasta informação digital nem à rede global. Nota-se essa distância entre os criadores out-net e os in-net?

R: Não se podem pôr portas no ciberespaço! Essa é uma das manifestações mais evidentes da falta de sentido do regime. As novas tecnologias tornaram a situação incontrolável. Por exemplo, um artista faz um vídeo em Cuba, alguém leva uma cópia para fora e começa a circular, e a ter vida própria fora da ilha. O ministério do Interior de Cuba dedica-se a desenvolver programas informáticos para poder rastrear as conexões ilegais na Internet...é uma loucura. Outro caso é blog Generación Y de Yoanni Sánchez, que é o blog independente mais conhecido de entre os muitos que surgiram em Cuba. Chama-se assim como referência a toda uma geração de crianças que receberam nomes que imitavam sons estrangeiros e eram símbolo de estatuto social.

P: Podes falar-me acerca de como surgiu e como avalias o projecto que dirigiste durante este ano “Nove Cutadores discutem a sua obra”. Qual é o papel do curador? Que perfil e formação implica? É necessário o exercício da crítica para não repetir, não cair em formalismos…

R: Este projecto de formação surgiu a convite de Lidia Blanco, directora do Centro Cultural de Espanha em Buenos Aires, e veio cobrir um vazio. Na Argentina existem muitos artistas, galerias, espaços, propostas independentes, mas as possibilidades de formação para curadores são practicamente inexistentes. Neste contexto, pensei que seria uma contribuição possível convocar uma variedade de curadores internacionais a apresentar o seu trabalho junto de curadores, artistas e críticos de Buenos Aires e de Santiago do Chile, sobretudo aos jovens, numa série de encontros mensais ao longo de nove meses. Expor a sua produção como matéria de análise e discussão, criando um espaço de trabalho flexível e adaptado às necessidades concretas dos curadores, e estabelecendo uma rede entre todos. Para a maioria dos participantes permitiu-lhes conhecer pessoalmente, e pela primeira vez, excelentes profissionais como Cuauhtémoc Medina, Vicente Todolí, Taiyana Pimentel... E não foi difícil atraí-los e entusiasmá-los para participarem neste projecto, dado o seu perfil e a sedução que o passado histórico e literário de Buenos Aires desperta. Uma das debilidades destes projectos que se desenvolvem em países subdesenvolvidos é que não se capitaliza o esforço realizado. Neste sentido, a chave é o papel desempenhado pela Rede de Centros Culturais de Espanha na América Latina, espaços de dinamização, activação e produção cultural dirigidos por professionais com ideias, com vontade, que não são burocratas. Em muitos lugares estos centros implicaram a renovação cultural, como sucedeu com o desaparecido centro cultural de La Habana.

P: Partilho essa opinião, sem dúvida. Contudo, estes equipamentos culturais que contam com mais recursos, meios, redes e infraestructuras do que os mais locais, exercem habitualmente um papel de apadrinhamento da dinâmica cultural de uma cidade, tanto que nalguns casos, acabam por desenvolver-se relações de dependência que eclipsam as iniciativas independentes ou mais modestas.

R: Sim, é possível que isso aconteça, mas o que é que se pode fazer. Acho que não concorrem uns com os outros, pois cada um tem um papel importante a desempenhar e cada um cumpre o seu ciclo. No caso dos projectos desenvolvidos por artistas e colectivos, estes têm normalmente uma vida relativamente breve, seja em Buenos Aires ou em Londres. O papel de uma instituição é diferente, os centros culturais de Espanha cobrem um vazio institucional que é evidente em muitos casos. A actividade artística em geral está muito necessitada de renovação, da entrada de novos olhares, e se pensarmos na grandeza do país, a cena artística de primeira ordem é muito reduzida se a comparamos com a do Brasil ou com a da Colômbia.

P: Estiveste a trabalhar para o New Museum of Art de Nova Iorque. Como é que eles nos vêem?

R: Não procuram o exotismo porque já não interessa. Não te querem pela tua origem, não lhes interessa de onde vens, mas para onde vais. Hoje em dia o artista circula com nome próprio mas sem apelidos nacionais. Podem ainda existir circuitos a quem interessa explorar os tópicos e estereótipos da nação de origem do artista tendo em vista um mercado muito concreto, mas isso não tem nenhum sentido hoje em dia no circuito internacional da arte, sobretudo quando comprovamos que a arte contemporânea se aprende, descobre-se e distribui-se pela Internet. Quando vês o currículo de qualquer artista percebes que o seu itinerário profissional se faz em diversos países ou cidades. O mais importante é: como é que a diferença produz novos significados nos códigos internacionalizados.

P: Em que projecto estás a trabalhar?

R: Agora mesmo estou a trabalhar num projecto em Córdoba (Espanha) com os pátios tradicionais, um espaço de exposição potente, com linhas discursivas entre o público e o privado, o tradicional e o contemporâneo… Interessa-me trabalhar com lugares ou cenários fora da protecção do cubo branco. Chama-se “El patio de mi casa. Arte contemporáneo en patios de Córdoba” e apresenta-se entre 15 de Outubro e 29 de Novembro. Vai ser um bom projecto, está a ser muito interessante trabalhar com os propietários destes pátios, que são património cultural da cidade, e com os artistas visitantes.

Disponível em: www.a-desk.org/spip/spip.php?article239

CONVOCATORIA AL 5º FICIFF FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINE INDEPENDIENTE DE LA PLATA - FESTIFREAK

http://www.festifreak.com.ar/



El Grupo Freak te invita a participar de la 5ª Edición del FICIFF Festival Internacional de Cine Independiente de La Plata FestiFreak, que se realizará en el Centro Cultural Pasaje Dardo Rocha, ciudad de La Plata, Argentina, del 17 al 25 de octubre de 2009.La convocatoria está dirigida a personas de cualquier país del mundo, sin restricciones de edad, que hayan realizado sus cortometrajes durante 2008 hasta la fecha. Podrán participar cortometrajes en las categorías Ficción, Animación, Documental, Experimental y Videoclip.Se concederá un premio por cada categoría: 1º Premio Categoría Ficción de $ 1000, un 1º Premio Categoría Documental de $ 1000, 1º Premio Categoría Experimental de $1000, 1º Premio Categoría Videoclip de $1000 y un 1º Premio Categoría Animación de $ 1000 a los directores de las obras elegidas, además de Menciones Especiales que el jurado considere necesarias.Los cortometrajes deben tener una duración máxima de 15 minutos y la recepción se realizará hasta el 11 de septiembre de 2009 todos los días de 8 a 22 hs. en el Centro Cultural Pasaje Dardo Rocha, calle 50 entre 6 y 7, CP 1900, La Plata, Buenos Aires, Argentina. El FICIFF – FestiFreak estará recibiendo nuevamente la muestra itinerante del BAFICI Buenos Aires Festival de Cine Independiente, que incluye una selección con lo mejor de ese festival.Esta 5º Edición del FICIFF Festival Internacional de Cine Independiente de La Plata FestiFreak es organizada por el Grupo Freak, y cuenta con el apoyo de la Municipalidad de La Plata, la Dirección de Cultura y Educación de la Provincia de Buenos Aires, el Instituto Cultural de la Provincia de Buenos Aires, la Universidad Nacional de La Plata y el INCAA Instituto Nacional de Cine y Artes Audiovisuales.

Domingo, 19 de Abril de 2009

Tradução do Manifesto "Altermodern" de Nicola Bourriaud.

ALTERMODERN – PÓS-MODERNISMO ESTÁ MORTO
Viagens, intercâmbio cultural e análise da história não são apenas temas em moda, mas marcadores de uma profunda evolução na nossa visão de mundo e na nossa maneira habitá-lo.
Mais genericamente, a nossa percepção globalizada exige novas formas de representação: a nossa vida quotidiana se dá num enorme cenário mais do que nunca, e depende agora de entidades transnacionais, de viagens de curta ou longa distância, em um universo caótico e prolífico.
Muitos sinais indicam que o período histórico definido pelo pós-modernismo está chegando ao fim: multiculturalismo e o discurso de identidade estão sendo ultrapassados por um movimento planetário de “creolização”. O relativismo cultural e a desconstrução, que substitui o universalismo modernista, não nos dão armas contra a dupla ameaça da cultura de massa uniforme e de uma regressão tradicionalista de extrema-direita.
Os tempos parecem propícios para a recomposição de uma modernidade no presente, reconfigurado de acordo com o contexto específico em que vivemos - crucial na era da globalização - entendido em seus aspectos econômicos, políticos e culturais: uma altermodernidade.
Se o Modernismo do século XX foi sobretudo um fenômeno da cultura ocidental, a altermodernidade decorre de negociações planetárias, discussões entre agentes de diferentes culturas. Desprendido de um centro, ele só pode ser poliglota. A Altermodernidade caracteriza-se pela tradução, ao contrário do modernismo do século XX, que falava o idioma abstrato do ocidente colonial e do pós-modernismo, que resumia o fenômeno artístico às origens e identidades.
Estamos entrando na era da legendagem universal, da dublagem generalizada. Hoje, a arte explora os laços que texto e imagem tecem entre si. Artistas percorrerem uma paisagem cultural saturada com sinais, criando novos percursos entre múltiplos formatos de expressão e de comunicação.
O artista se torna "homo viator", o protótipo do viajante contemporâneo cuja passagem por signos e formatos remete a uma experiência de mobilidade contemporânea, viagens e transpassagens. Esta evolução pode ser vista na maneira como as obras são feitas: um novo tipo de forma está surgindo, a forma-viagem, feita de linhas traçadas tanto no espaço e como no tempo, materializando trajetórias em vez de destinos. A forma do trabalho exprime um curso, um vaguear, em vez de um espaço-tempo fixo.
A arte altermoderna é assim entendida como um hipertexto; artistas traduzem e transcodificam a informação de um formato para outro, e passeiam pela geografia, assim como pela história. Isto dá origem a práticas que podem ser referidas como "time-specific", em resposta ao "site-specific", trabalho dos anos 60. Rotas de voo, programas de tradução e cadeias de elementos heterogêneos articulam-se mutuamente. O nosso universo torna-se um território em que todas as dimensões podem ser percorridas tanto no tempo como no espaço.
A “Tate Triennial 2009” se apresenta como uma discussão coletiva sobre esta hipótese do final do pós-modernismo e da emergência de uma altermodernidade global.

ALTERMODERN MANIFESTO - POSTMODERNISM IS DEAD


Travel, cultural exchanges and examination of history are not merely fashionable themes, but markers of a profound evolution in our vision of the world and our way of inhabiting it.
More generally, our globalised perception calls for new types of representation: our daily lives are played out against a more enormous backdrop than ever before, and depend now on trans-national entities, short or long-distance journeys in a chaotic and teeming universe.
Many signs suggest that the historical period defined by postmodernism is coming to an end: multiculturalism and the discourse of identity is being overtaken by a planetary movement of creolisation; cultural relativism and deconstruction, substituted for modernist universalism, give us no weapons against the twofold threat of uniformity and mass culture and traditionalist, far-right, withdrawal.
The times seem propitious for the recomposition of a modernity in the present, reconfigured according to the specific context within which we live – crucially in the age of globalisation – understood in its economic, political and cultural aspects: an altermodernity.
If twentieth-century modernism was above all a western cultural phenomenon, altermodernity arises out of planetary negotiations, discussions between agents from different cultures. Stripped of a centre, it can only be polyglot. Altermodernity is characterised by translation, unlike the modernism of the twentieth century which spoke the abstract language of the colonial west, and postmodernism, which encloses artistic phenomena in origins and identities.
We are entering the era of universal subtitling, of generalised dubbing. Today's art explores the bonds that text and image weave between themselves. Artists traverse a cultural landscape saturated with signs, creating new pathways between multiple formats of expression and communication.
The artist becomes 'homo viator', the prototype of the contemporary traveller whose passage through signs and formats refers to a contemporary experience of mobility, travel and transpassing. This evolution can be seen in the way works are made: a new type of form is appearing, the journey-form, made of lines drawn both in space and time, materialising trajectories rather than destinations. The form of the work expresses a course, a wandering, rather than a fixed space-time.
Altermodern art is thus read as a hypertext; artists translate and transcode information from one format to another, and wander in geography as well as in history. This gives rise to practices which might be referred to as 'time-specific', in response to the 'site-specific' work of the 1960s. Flight-lines, translation programmes and chains of heterogeneous elements articulate each other. Our universe becomes a territory all dimensions of which may be travelled both in time and space.
The Tate Triennial 2009 presents itself as a collective discussion around this hypothesis of the end of postmodernism, and the emergence of a global altermodernity.

Nicolas Bourriaud

Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2009

Entrevista-Nicolas Bourriaud



Ninguém precisa saber quem ele é ou das ideías que defende, muito menos os artistas que estão no seu casting para fazer, entender ou relacionar-se com a arte de alguma maneira.Mas Nicolas Bourriaud é um dos curadores mais influentes na europa e américa do norte.
Suas idéias e curadorias viram a linha de trabalho de muitos artistas e curadores por conta de seu prestígio e das instituições que ele coordena ou é parceiro direto.
Para se ter uma referência de uma destas, em seu país de origem, ele é o cabeça do "palais de tokyo" um centro de arte contemporânea localizado na capital francesa.
Dia desses li uma entrevista com ele no artecapital.net e achei interessante publicar-la aqui tb.
Aproveito e tb envio um link de um programa que eu gosto muito, art safari, que aborda o conceito do Nicolas sobre a arte relacional.
aqui ó!
http://www.ubu.com/film/relational.html

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Nicolas Bourriaud (n. 1965) é um dos filhos pródigos da arte contemporânea francesa. É simultaneamente curador, ensaísta, crítico de arte e globe-trotter. A sua carreira como curador adquiriu visibilidade a partir de algumas exposições internacionais em que participou, tais como: “Aperto 93” (Bienal de Veneza, sob curadoria geral de Achille Bonito Oliva), “Traffic” (CAPC, Bordéus, 1996), “Experience de la Durée” (Bienal de Lyon, 2005), e Bienal de Moscovo (2005 e 2007). Teorizou as novas práticas artísticas que eclodiram no final dos anos 90 e inícios do século XXI, com artistas como Philippe Parreno, Dominique Gonzalez-Foerster ou Rirkrit Tiravanija. Publicou diversos livros assumindo a autoria de novas teorias sobre a arte, como a da estética relacional. Aumentou a sua notoriedade quando, entre 2001 e 2004, protege a especificidade do Palais de Tokyo, lugar dedicado à criação contemporânea da cena cultural parisiense: que co-dirigiu com Jérôme Sans. Recentemente, em 2008, comissariou “Estratos” em Murcia, Espanha, e “La Consistance du Visible” na Fundação Ricard, em Paris. Em 2006 foi nomeado curador da Trienal da Tate, que decorre de 3 de Fevereiro a 26 de Abril de 2009. Foi sobre o conceito camaleónico de modernidade que trocámos aqui algumas ideias.

Por Sílvia Guerra
Novembro-Dezembro, 2009



P: Para a Trienal da Tate, em Londres, propôs um novo conceito, que é o de “Altermodern”. Esta outra modernidade é a chave de interpretação desta grande exposição colectiva. Gostaria de saber se com este novo neologismo inventado por si, procura medir o nosso afastamento em relação ao movimento histórico da modernidade?

R: O “Altermodern” significa um duplo afastamento, seja em relação ao “pós-moderno”, seja em relação ao período moderno do século XX. Hoje a palavra “moderno” evoca duas coisas: o período histórico delimitado pela arte moderna, e a modernização do mundo, sob a égide do “progresso”. Ora aquilo a que chamamos moderno é um estado de espírito recorrente na história, que assume diferentes formas segundo as várias épocas.


P: Como se liga o “altermodern” à contemporaneidade? É um seu sinónimo ou é uma maneira de repensar a noção de contemporâneo?

R: O “Altermodern” é, para mim, a forma emergente e contemporânea da modernidade, ou seja, a de uma modernidade que corresponde aos desafios do século XXI, e especificamente ao momento histórico que vivemos e no qual nos inscrevemos, para o bem e para o mal: a globalização. Ser moderno, no século XX, correspondia a pensar de acordo com formas ocidentais; hoje, a nova modernidade produz-se segundo uma negociação planetária. Doravante, na sua reflexão plástica, os artistas tomarão como ponto de partida uma visão globalizada da cultura, e já não as conhecidas “tradições”: servem-se destas para se conectarem com o universal, para experimentarem novas vias. Por exemplo, Pascale Marthine Tayou utiliza os padrões culturais africanos para questionar os valores a partir dos quais os vemos a partir de Nova Iorque ou Berlim.


P: Como poderíamos definir o significado dessa noção para re-interpretar outras práticas culturais?

R: “Alter” significa outro, mas o prefixo evoca igualmente a multitude. Em política, a alter-globalização é uma constelação de lutas locais que visam combater a homogeneidade mundial. No domínio cultural, “alter-moderno” significa algo semelhante, é como um arquipélago de singularidades conectadas umas às outras.


P: A Documenta 12 de Kassel foi também um momento no qual se perguntou se a modernidade não seria a nossa Antiguidade. Por seu lado, o antropólogo Bruno Latour defende a ideia de que nunca fomos modernos. Mas, hoje em dia, poderemos ser algo para além de modernos?

R: Infelizmente, sim… O planeta inteiro está a ser percorrido por crispações identitárias, por retornos fundamentalistas, por radicalismos religiosos e políticos, e todos colocam em primeiro plano as raízes das assim chamadas “ identidades culturais”, que são um dogma. Deste facto, nasce hoje a necessidade e importância de fazer a recomposição de uma modernidade, cujo gesto primordial é o do desenraizamento do solo, do exôdo das tradições identitárias e das comunidades constituídas. No que diz respeito à Documenta, não podemos esquecer que o regresso à Antiguidade foi o sinal durante um longo período de tempo, do aparecimento da modernidade, cujo exemplo mais evidente é o Renascimento italiano. É certo que o modernismo do século XX constitui a nossa Antiguidade – aonde temos de regressar – mas para dar um mais efectivo passo em frente. Hoje irritarmo-nos com este revival modernista que pesa nas grandes exposições mas, na minha opinião, ele é apenas mais um fetichismo.


P: Entre os artistas que convidou para esta Trienal, estão alguns que trabalham sobre dois vectores que você considera irreductíveis do conceito de “Altermodern”: o tempo e a história, como um novo continente. Poderia apresentar-nos o trabalho de alguns desses artistas?

R: Os artistas procedem hoje por encadeamento de objectos visuais. Esta é a sua metodologia, e fazem-no através de obras que constituem arrêts sur l’ image” de um enunciado em perpétuo crescimento. Para fazer referência à obra de um artista emblemático, como é Seth Price, posso dizer que as suas formas permanecem em estado de cópia, mas sem adquirirem um estatuto como transitórias. As imagens são instáveis, estão à espera, entre duas traduções, de serem perpetuamente transcodificadas. Price desmotiva uma vã necessidade de classificar as suas obras, de lhes atribuir um lugar preciso na cadeia de produção e de tratamento da imagem. Os mesmos motivos são retomados com mais ou menos variantes em obras distintas. Outros como Nathaniel Melliors ou Spartacus Chetwynd, exploram a história como se ela fosse um espaço. Charles Avery, pelo contrário, cria a ficção de um universo inteiro que aboliu toda a noção de contemporaneidade. Todos eles fazem um mix de épocas e de estilos, tal como “semionautas” que produzem percursos através de diferentes épocas e estilos e a partir dos signos que pertencem a espaços-tempos afastados uns dos outros.


P: Numa entrevista disse que quando tinha perguntas fazia exposições, e que quando tinha respostas, escrevia livros… Que conclusões se pode tirar dessa metodologia? Como vê a articulação do seu trabalho com o momento histórico (ele mesmo tão volátil)?

R: O meu trabalho consiste em tentar fazer aparecer figuras no caos da produção contemporânea, ou seja, inventar chaves de leitura, utensílios teóricos que permitam ver a arte de hoje segundo um certo prisma. Esse trabalho efectua-se de forma discursiva num livro e transforma-se quando se trata de uma exposição: detesto a ideia de alinhar obras, uma após outra num museu, de forma a que se conformem ao que esperamos delas. Sabendo que toda a (boa) obra de arte é semionautas, obviamente que resiste à classificação sob a égide de uma teoria. Uma exposição é então um espaço-tempo de diálogo, um filme no qual me contento em fazer a montagem e para o qual escrevo as legendas.


P: Conhecemos as suas útimas obras, Esthétique relationnelle e Postproduction, que permitiram teorizar a arte após a morte da história da arte dos anos 90. Com o seu proximo livro Radicant, em que analisa a nova geração, o que nos é dado a conhecer?

R: A Trienal “Altermodern” e o ensaio Radicant, completam-se e respondem um ao outro, já que foram concebidos em conjunto. Em “Altermodern”, onde procuro descrever as suas condições de emergência, existe a articulação em torno de noções como a de precariedade (a arte que chama a atenção para a fragilidade de todas as construções sociais e mentais), de errância (como porta de saída do pós-moderno), de forma-viagem (na qual a obra se apresenta como percurso, e não mais como uma superfície ou volume), ou de implicação de temporalidades (a tessitura de espaços-tempo heterogéneos na obra).


P: Poderia explicar-nos como trabalha com os artistas e criadores que acompanha? Qual é o seu modus operandi enquanto curador?

R: Cada exposição tem a sua própria história. Esta foi concebida no quadro de uma série de discussões com actores do mundo da arte: por exemplo, a série de quatro “Prólogos” que precederam a Trienal, e que implicaram a participação de outros teóricos, de artistas e de críticos de arte. Depois, poderia dizer que, de uma forma mais geral, esta exposição foi concebida como se fosse um debate alargado.


P: E qual é o papel do crítico de arte nos nossos dias?

R: Hoje, mais do que nunca, é indispensável designar as coisas e fazer a sua análise. Perante um mundo como o actual, que progressivamente se reduz mais às dimensões de um supermercado de imagens e de signos, é urgente reafirmar o valor do comentário e da selecção. Isto poderia resumir-se deste modo: eu, um indivíduo entre outros, vou mostrar este objecto, que me parece mais interessante do que outros; e vou-lhes explicar porquê, e a partir de que valores emito este julgamento. Será que é necessário relembrarmo-nos de um velho adágio talmúdico, segundo o qual um texto (e por extensão, qualquer outro objecto) não adquire o seu real valor senão a partir do momento em que foi sujeito a um comentário?


P: Em Portugal, onde fazem falta mais revistas em papel consagradas à arte contemporânea, apropriámo-nos do formato digital para existir. A Artecapital existe desde há três anos… Poderemos dizer que fazemos parte de uma “alter-modernidade”? As diferentes velocidades de crescimento nos países europeus são uma das razões para que nos continuemos a sentir tão “far away so close”…

R: A verdadeira virtude do pós-modernismo foi a de equalizar filosoficamente, e mesmo juridicamente, as diferentes versões dos espaços-tempo que compõe o nosso mundo, e do qual certas versões eram precedentemente consideradas pelo mundo modernista como simplesmente “em atraso”. A “alter-modernidade”, é a coordenação estrutural produtiva das diferentes velocidades, com a finalidade de criar novas visões do mundo, uma modernidade que seja finalmente planetária e não simplesmente pseudo-Ocidental, que seja um arquipélago e deixe de ser “continental”, no sentido em que deixe de ambicionar a totalidade.


P: José Saramago escreveu, em 2008, um livro intitulado A Viagem do Elefante, no qual o seu protagonista paquiderme, proveniente da Índia, atravessa a Europa do século XVI. Nessa viagem “moderna” a palavra de ordem é: chegamos sempre ao sítio onde nos esperam. O que pensa desta visão da viagem? Ainda tem sentido?

R: A errância é, antes de mais, encontrar o que não se procura. É este o verdadeiro luxo intelectual num mundo onde se fabricam dóceis consumidores a partir de perfis-tipo.



LINK
ALTERMODERN – Tate Triennial 2009

Tate Britain, 4 Fevereiro – 26 Abril 2009
www.tate.org.uk/britain/exhibitions/altermodern/


BIBLIOGRAFIA
NICOLAS BOURRIAUD

Radicant
_Nova Iorque, Sternberg Press & Berlin (Merve Verlag), 2009.

Postproduction
_Dijon, Les presses du réel, 2004.
_Nova Iorque, Lukas & Sternberg, 2001.

Formes de vie. L’ art moderne et l’ invention de soi, _Paris, Denoël, 1999.

Esthétique relationnelle
_Dijon, Les presses du réel, 1998.

Domingo, 15 de Fevereiro de 2009

COMISSÃO DE FRENTE-RECIFE



Com o intuito de abrir o calendário da exibição de arte contemporânea no Recife e, literalmente, colocar um bloco na rua surge a primeira edição da exposição “Comissão de Frente”.A exposição, organizada por dois jovens artistas da cidade Aslan Cabral e Bruno Faria, integra-se ao período pré-carnavalesco e utiliza elementos da folia de momo por conta da força, singularidade e representatividade do carnaval na cultura da cidade do Recife que é um dos roteiros mais desejados por turistas do Brasil e do mundo neste período.
Integrando o calendário da arte atual da cidade ao carnaval esta exposição sugere o reconhecimento de todas as co-relações que a nossa criatividade e anarquia, entre várias caracteristicas da arte contemporânea, tem com manifestações populares como o carnaval.
Aslan Cabral, Bruno faria, Bruna Rafaela, Cristiano Lenhardt, Derlon Almeida, Gugu Ferrer, Jonathas Andrade, Marcelo Solá, Maurício Castro, Mozart Santos e Yuri Firmeza são os artistas convidados para compor essa mostra que vai do dia 17 ao 19 de fevereiro (semana pré carnavalesca) finalizando a programação com a saída do Bloco “E tudo artista”.

Cronograma
Terça-feira dia 17
abertura as 10:00 da manhã
e às 19 hrs pocket show da banda Saltos Ornamentais(babaaado!)
e djs convidados
Quarta-feira dia 18
Entrega das camisas do bloco "É Tudo Artista"
e Bazar da Monga a partir das 17:00hs(imperdível)
*também vai rolar um som!
Quinta-feira dia 19
Encerramento com a saída do bloco "É Tudo Artista", concentração a partir das 17:30
Muito frevo, axé e djs convidados numa verdadeira performance coletiva!!!
PARTICIPE!!!

Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009

Piscinão da Benvinda de Carvalho-Belo Horizonte


Uma invasão de artistas cariocas a praia mineira...a piscina.

Essa invasão ocorrerá na Galeria Murilo Castro comemorando o verão, época tão fértil e adorada pelo povo litorâneo. E se dará da seguinte forma, um ônibus com mais de 40 artistas contemporâneos chegará na galeria no dia da abertura da exposição carregando seus respectivos trabalhos sob o braço. Esses artistas escolherão onde por suas obras de forma bem livre indo logo assim que terminado o trabalho de instalação das obras participar do churrasco à beira de uma piscina plástica instalada na Galeria.

Por que isso?

A Galeria Murilo Castro já possuiu inusitadamente uma piscina em seu interior que mais tarde veio a ser aterrada já que não era de grande valia como espaço expositivo. Uma exposição onde os artistas invadem a galeria e a piscina, só caberia nessa em questão.

Piscinão é uma manifestação típica do carioca de baixa renda, aquele que não tem acesso rápido e direto as grandes e famosas praias cariocas, governos passados inventaram o famoso piscinão para o suburbano. Sendo a arte uma atividade muito ligada às elites e a arte contemporânea ainda mais taxada de hermética e difícil, logo mais distanciada ainda da base da pirâmide social brasileira, resolvemos por em cheque tudo isso fazendo um evento que tenho o frescor a malandragem e a leveza de um churrasco à beira da piscina.

O evento terá a característica descontraída do carioca e do verão mas também estará cercado de obras de artistas já respeitados e outros ainda jovens porém com uma estruturada trajetória.

Acreditamos que o público que venha a visitar a galeria encontrará, alem do evento da abertura, a invasão e toda a operação de colocação das obras de todos os artistas ao mesmo tempo no espaço expositivo, participar de um churrasco e cervejada seguido de um bom batuque de samba e pagode; também uma mostra do que a arte contemporânea carioca vem fazendo.

Essa abertura e esse deslocamento dos artistas vindo de um sítio para outro e nesse último instalando suas obras e eles próprios se apropriando do espaço expositivo como seu próprio lar relaxado, animadamente, divertindo-se mas sempre e com mais força que de costume atuando como agentes da arte.

Os cariocas vão invadir com muito bom humor e arte a Galeria Murilo Castro nesse verão.



Venham todos e tragam os amigos!

Será neste sábado, dia 14 de fevereiro, às 12:00 horas, na Galeria Murilo Castro, Rua Benvinda de Carvalho, 60, Belo Horizonte,
quando o ônibus chegará do Rio com os artistas e o evento terá início.



Relação dos artistas participantes:

Alex Topini Guga Ferraz
Alexandre Sá Gustavo Speridião
Alexandre Vogler Heleno Bernardi
Andrei Muller Isabela Lira
Arjan Joaquim Paiva
Caroline Valansi Jorge Duarte
Celina Portella Júlia Debasse
Cesar Barreto Leo Videla
Chico Fernandes Lia do Rio
Claudia Hersz Luis Sérgio Oliveira
Dani Dacorso Luiza Baldan
Daniel Lannes Marco Antonio Portela
Daniel Murgel Osvaldo Carvalho
Eduardo Filipe Patrícia Gouvea
Felipe Varanda Pedro Paulo Domingues
Fernanda Antoun Pontogor
Fernando de La Roque Ricardo Pimenta
Flávio Vasconcelos Romano
Frederico Dalton Thiago Barros
Gabriela Maciel Valeria Costa Pinto
Geraldo MarcoliniVicente de Mello
Greice Rosa Walton Hoffmann


Curadoria, organização e texto de Marco Antônio Portela

Galeria Murilo Castro - Rua Benvinda de Carvalho, 60 - Belo Horizonte -MG
tel: +5531-32870110 www.murilocastro.com.br